04/12/2013 – SÃO PAULO – Com o Brasil em situação de pleno emprego nos últimos tempos, as empresas têm sofrido com a dificuldade em manter funcionários a longo prazo em seus cargos. Com novas prioridades, a chamada “Geração Y” não considera sucesso profissional se manter numa mesma companhia por longos anos, por isso, depois de apostar em oferecer capacitação para reter e motivar talentos, as empresas agora investem em estratégias diferentes na área de Recursos Humanos. A mudança de conceito envolve priorizar o desenvolvimento pessoal e individual de seus colaboradores, com oferta de mais conhecimento e ações que ultrapassem as voltadas apenas aos planos de carreira.
De acordo com Luiz Fernando Garcia, CEO da Cogni MGR, companhia com mais de 20 anos de atuação no mercado de treinamento e desenvolvimento empresarial, é preciso entender a importância de se criar vínculo entre colaborador e empresa, para que a retenção de talentos alcance níveis aceitáveis. E o melhor modo de criar estes vínculos é investir na evolução pessoal do profissional. “Com descobertas existenciais o colaborador cria mais vínculos com a empresa”, analisa.
Uma pesquisa realizada recentemente pela Cogni MGR com executivos de grandes empesas – como Ambev, Avon, Eletrolux, Nestlé, entre outras, revela que a maioria das companhias investe em coaching (63%) e dinâmicas de grupo (59%) para o desenvolvimento de executivos. Na opinião de Garcia, este panorama precisa mudar. “Não estamos mais num momento de estratégias enlatadas. Estamos em transformação. Precisamos cuidar da mente das pessoas, e não da produtividade”, conta Garcia.
A pesquisa ainda aponta que o orçamento reservado pelas companhias para treinamento/capacitação de gerentes ainda é baixo. Das empresas consultadas, apenas 5% reservam mais de R$ 500 mil anuais. “Menos de 1% do faturamento das empresas brasileiras é investido em capacitação. Estamos muito aquém em comparação às companhias estrangeiras”, revela Luiz Castanha, diretor da Élogos, empresa responsável por treinamento de profissionais de venda, atendimento e liderança.
A Élogos implantou na Claro um projeto batizado Academia de Vendas. Com base em estudos individuais dos vendedores, a Élogos traçou planos específicos para cada funcionário da operadora de telecom. “A proposta da Academia de Vendas é entender estes vendedores. Nós criamos trilhas de aprendizagem para eles. Temos uma arquitetura de aprendizagem de acordo com o perfil do vendedor”, revela.
Já a Sempre Materna, empresa com uma década de vida e focada no tratamento de gestantes, é um exemplo da aposta das companhias em investir na melhora da qualidade de vida dos colaboradores. O In Company, serviço corporativo oferecido pela Sempre Materna, já atende Telefônica/Vivo, Claro, TAM, Drogaria São Paulo e muitos outros. Com a proposta de garantir suporte total às funcionarias – e aos seus maridos – durante a gestação, o projeto é uma arma das empresas para retenção de talentos. “O In Company tornou-se uma ferramenta importantíssima para as companhias ganharem fidelidade de seus funcionários”, revela Keila Cristiuma, diretora da Sempre Materna.
De acordo com dados divulgados pela Sempre Materna, o In Company reduz, em média, 22% das faltas e 40% do nível de estresse das gestantes. “O In Company também proporciona um aumento de 38% da motivação para exercer as atividades de trabalho”, garante Keila. Econômico, o programa custa aproximadamente R$ 150 por gestante. “A diária de uma UTI neonatal equivale a um mês de pagamento do programa. É muito melhor para a empresa ter uma gestante informada”.
Na visão de Ana Paula Azevedo, da Garcia Azevedo e Consultores, é preciso haver mais compatibilidade entre os valores de colaborador e empresa. “A coesão dos valores do profissional em relação à empresa é importantíssima. O talento busca uma causa, ele não vai atrás só de remuneração. Bons salários ele consegue em uma companhia qualquer”.
Fonte: DCI – São Paulo/SP
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